O Papel da APEI Benelux na Promoção dos Direitos e Interesses da Diáspora Portuguesa

O Jornal Comunidades Lusófonas esteve em entrevista com o Presidente da APEI, Nuno Cernadas, para compreender o envolvimento da APEI Benelux em eventos como o que decorreu recentemente no Parlamento Europeu, organizado pela SEDES Europa. Foi uma entrevista de esclarecimento, mas também de podermos acompanhar o trabalho da APEI Benelux na valorização da comunidade académica portuguesa no estrangeiro.
Jornal Comunidades Lusófonas – Qual foi o papel da APEI Benelux neste evento da SEDES Europa sobre a diáspora portuguesa na União Europeia?
Nuno Cernadas – A APEI Benelux considera como de grande relevância o debate promovido pela SEDES Europa no Parlamento Europeu sobre a diáspora portuguesa. Fóruns de discussão e de participação cívica, como o evento organizado pela SEDES Europa, são naturalmente espaços onde a APEI Benelux, como representante dos estudantes, investigadores e graduados portugueses no Benelux, pretende marcar presença, incluindo assim no debate algumas das preocupações, desafios, e oportunidades que os seus membros vivenciam diariamente no contexto profissional.
JCL –A APEI teve algum tipo de intervenção direta nos debates ou atuou mais como observadora?
NC – A nossa participação foi sobretudo enquanto observadores, não deixando contudo de ter várias interações com os moderadores do fórum e demais participantes, esperando assim contribuir com perspetivas sobre as circunstâncias dos académicos portugueses no Benelux.
JCL – Na sua opinião, quais foram os pontos mais relevantes discutidos no evento para os estudantes, investigadores e graduados portugueses no Benelux?
NC – O debate promovido pela SEDES Europa incidiu principalmente sobre a questão da modalidade de votação nos círculos eleitorais da emigração, e sobre a eventual necessidade de uma modernização dos meios técnicos que a possibilitam, nomeadamente possibilitando o voto eletrónico à distância. Este é um debate antigo, mas sempre relevante e importante, visto principalmente que as condições tecnológicas que o determinam, assim como possíveis ameaças a um funcionamento credível, se encontram em constante evolução. O combate à abstenção e à preocupante percentagem de votos inválidos enviados por correspondência nos círculos da emigração devem ser prioridades de todos na defesa duma democracia sã.
JCL – A APEI Benelux tem vindo a trabalhar na defesa dos interesses dos portugueses na região.
Quais são os principais desafios que os estudantes e investigadores portugueses enfrentam ao estabelecerem-se nestes países?
NC – A APEI Benelux pretende ser o fórum primeiro de representação dos estudantes, investigadores e graduados portugueses residentes no Benelux, apoiando e desenvolvendo estratégias e iniciativas que deem relevo ao seu contributo. Pretende ainda fomentar relações inter pares, e ser a APEI Benelux ela própria um fórum de contacto e de criação de sinergias dentro desta importante comunidade. Isto por querermos mitigar aquelas que serão por ventura as maiores dificuldades da comunidade académica portuguesa no Benelux: uma certa atomização ao nível da sua atividade profissional e académica, e de falta de apoio ao nível de informação relevante para uma plena e atempada integração nos sistemas nacionais. Outros desafios concretos colocam-se ao nível de reconhecimento de diplomas e de dificuldade de acesso a financiamento para investigação. É precisamente através da criação de uma rede que promova o trabalho de excelência dos seus membros, que fomente entre eles laços profissionais e de partilha de know-how, e que defenda os seus interesses junto de decisores políticos, que estas dificuldades poderão ser vencidas.
JCL – A APEI tem tido alguma interlocução direta com as autoridades portuguesas ou europeias para abordar estas questões?
NC – O maior e mais importante desafio desta nova direção da APEI Benelux, a qual tenho a honra de liderar, consiste precisamente na construção e reativação de laços com os estudantes, investigadores e graduados portugueses no Benelux. Nesse sentido temos estabelecido contactos com as instituições universitárias, e particularmente com as autoridades portuguesas no Benelux, tendo em vista o fortalecimento do alcance da associação e do que acreditamos ser o seu potencial de relevo na diplomacia científica portuguesa.
Estratégias e Colaboração com Outras Entidades.
JCL – Como vê a colaboração da APEI com outras organizações da diáspora, como a SEDES Europa, para fortalecer a presença portuguesa em Bruxelas e noutros centros de decisão?
NC – A APEI Benelux considera que a colaboração inter-organizacional é absolutamente fundamental para uma real valorização do trabalho de excelência que a comunidade portuguesa desempenha no meio académico e profissional no Benelux, e para uma crescente consciencialização dos seus desafios junto dos decisores políticos. A APEI Benelux pretende portanto fortalecer a sua rede de contactos, a nível associativo e institucional, no plano académico mas também cívico, na convicção de que da qualidade e quantidade desses laços depende a sua capacidade para cumprir a missão a que se propõe.
JCL – A APEI planeia participar ou coorganizar eventos semelhantes no futuro?
NC – Sim, estamos a trabalhar no sentido do fortalecimento do nosso alcance associativo, através de eventos próprios mas também em parceria, assim como de participação em fóruns externos de relevância para a nossa comunidade. Pretendemos não só que estes espaços e iniciativas possam possibilitar uma discussão alargada das dificuldades da comunidade, que é profissionalmente diversificada e com uma integração ampla do ponto de vista geográfico, mas também que proporcionem um maior reconhecimento e visibilidade do excelente trabalho que a comunidade académica portuguesa realiza no Benelux.
JCL – Perspetivas Futuras da APEI
Quais são os planos da APEI Benelux para o futuro em termos de iniciativas e eventos?
NC – Estamos a desenvolver vários projetos, incluindo um programa de mentoria para estudantes e investigadores recém-chegados ao Benelux com mentores em cada um dos três países, um guia de boas práticas para a integração académica, eventos sociais locais tendo em vista a criação de laços entre os associados, e um ciclo de conferências sobre a diáspora científica portuguesa. Além disso, queremos reforçar a nossa presença em debates políticos e institucionais para garantir que a voz da nossa comunidade seja ouvida e o seu trabalho (re)conhecido.
JCL – Que mensagem gostaria de deixar à comunidade portuguesa que vive, estuda e trabalha no Benelux?
NC – Gostaria de lhes transmitir que têm na APEI Benelux uma associação que tem como missão única a sua promoção e valorização, e que, através da partilha de experiências e da criação de uma comunidade coesa, participativa e solidária, estamos certos de conseguir contribuir de forma significativa para a defesa dos seus interesses.
Nesse sentido, convido toda a comunidade de estudantes, investigadores e graduados portugueses, a participarem de forma ativa na APEI Benelux, na definição da sua ação e nas suas iniciativas. Juntos poderemos fortalecer laços, ampliar oportunidades e fazer da APEI Benelux uma voz ainda mais influente e representativa.
Entrevista realizada a 14 de Fevereiro de 2025
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